quinta-feira, 2 de abril de 2009

Fundo do poço


Perambulando noite e dia por gélidas ruas fui... Pingando de suor.
Caminhando, como sonâmbula, tropecei e caí.
Os alertas me soavam ao longe: "levanta!".
Pus-me de pé, meus passos não me atendiam.
Para onde foram me levar?
Em frente ao poço parei.
Sem sentir, me joguei, para pagar pelo crime que cometi: o tempo, fui eu que matei.
E ele não me perdôou, em meus sonhos e acordes me cobra por coisas que não fiz quando o tinha.
No fundo do poço estou.
Entre pesadelos, com feridas, arranhões e cortes, vou subir.
Minha corda estou tecendo para jogar aos céus, borda desse lugar.
Ao tempo quero me desculpar, fazer as pazes e de mãos dadas com ele andar.

Acordei com o grito das imagens mudas que estão impressas nas ironias que me cercam.
Do fundo do poço, olho para o alto:
-A lua continua a sorrir.

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