
"As pequenas memórias. Sim, as memórias pequenas de quando fui pequeno, simplesmente."
É assim que José Saramago descreve esse seu livro.
Mais um livro que termino lendo praticamente apenas em minhas viagens de ônibus para a UFAL.
Este livro foi lançado em 2006, quando José Saramago estava com 83 anos e foi o primeiro livro que li dele, terminei de lê-lo hoje, quase agora.
Quando comecei a leitura deste livro, achei-o meio maçante, pois só falava sobre a natureza que o cercava quando era criança, mas, mesmo assim, gostava bastante da forma que ele falava. Depois, mais e mais fatos que ele lembra de sua infância, desde suas primeiras impressões sexuais, a seu início e desenrolar na escola.
Um fato interessante e que muitos não sabem é que Zezito, como ele era/é chamado por seus familiares, não teria como sobrenome Saramago caso o escrivão do cartório em que seu pai foi registrá-lo estivesse bêbado, isso segundo seu pai. Zezito diz agradecer até hoje ao deus Baco, deus do vinho, por isso, pois se não fosse isso, seu nome seria apenas José de Souza, e ele teria que inventar um pseudônimo, o que não foi preciso já que tinha Saramago. E só foram notar isso quando foi preciso usar o registro para ele se matricular em uma escola, e, por isso, seu pai também teve que mudar o nome, para adicionar Saramago, pois não permitiam que o menino tivesse tal sobrenome, se seus pais não o tinha. Seu pai, claro, não gostou, e enfatizava e dizia sempre o Souza, quando perguntavam seu nome.
Neste livro ele cita que algumas características que ele pôs em Ensaio Sobre a Cegueira foi devido a suas impressões acerca de um cego que ele conheceu, ou conviveu, quando criança, ele não gostava do cheiro desse senhor.
Uma das partes do livro que eu gostei bastante, foi quando ele falou de seu avô materno:
"(...) E no entanto é um homem sábio, calado, que só abre a boca para dizer o indispensável. Fala tão pouco que todos nos calamos para o ouvir quando no rosto se lhe acende algo como uma luz de aviso. Tem uma maneira estranha de olhar para longe, mesmo que esse longe seja apenas a parede que tem na frente. A sua cara parece ter sido talhada a enxó, fixa mas expressiva, e os olhos, pequenos e agudos, brilham de vez em quando como se alguma coisa em que estivesse a pensar tivesse sido definitivamente compreendida. É um homem como tantos outros na terra, neste mundo, talvez um Einstein esmagado sob uma montanha de impossíveis, um filósofo, um grande escritor analfabeto. Alguma coisa seria que não pôde ser nunca. (...)"
E aqui ele fala de como o avô e a avó maternos cuidavam dos bácoros (porcos pequenos) que nasciam mais fraquinhos, para que não morrecem com o frio da noite:
"(...) Todas as noites, meu avô e minha avó iam buscar às pocilgas os três ou quatro bácoros mais fracos, limpavam-lhes as patas e deitavam-nos na sua própria cama. Aí dormiriam juntos, as mesmas mantas e os mesmos lencóis que cobririam os humanos cobririam também os animais, minha avó num lado da cama, meu avô no outro, e, entre eles, três ou quatro bacorinhos que certamente julgariam estar no reino dos céus..."
Cuidavam tão bem dos animais. ^^
A frase da avó dele que me chamou atenção: "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.". De fato... Bonito demais o mundo! Mesmo, mesmo!
E, por fim, uma frase que achei engraçado que José Saramago falou, quando falava que seus pais faziam um "gato" para não pagarem uma conta muito alta de água: "Imperdoável, dir-se-á, porém já devíamos saber que nem tudo é amável na vida das melhores famílias.".
Aqui vai a recomendação para quem quiser saber um pouquinho mais sobre José Saramago, em especial, sobre sua infância: ler As Pequenas Memórias.
Gostei do livro, não apenas como uma forma de conhecer melhor o autor, mas porque gostei de sua forma de escrever, seus pensamentos e dissertações sobre o mundo que o cerca(va).
É assim que José Saramago descreve esse seu livro.
Mais um livro que termino lendo praticamente apenas em minhas viagens de ônibus para a UFAL.
Este livro foi lançado em 2006, quando José Saramago estava com 83 anos e foi o primeiro livro que li dele, terminei de lê-lo hoje, quase agora.
Quando comecei a leitura deste livro, achei-o meio maçante, pois só falava sobre a natureza que o cercava quando era criança, mas, mesmo assim, gostava bastante da forma que ele falava. Depois, mais e mais fatos que ele lembra de sua infância, desde suas primeiras impressões sexuais, a seu início e desenrolar na escola.
Um fato interessante e que muitos não sabem é que Zezito, como ele era/é chamado por seus familiares, não teria como sobrenome Saramago caso o escrivão do cartório em que seu pai foi registrá-lo estivesse bêbado, isso segundo seu pai. Zezito diz agradecer até hoje ao deus Baco, deus do vinho, por isso, pois se não fosse isso, seu nome seria apenas José de Souza, e ele teria que inventar um pseudônimo, o que não foi preciso já que tinha Saramago. E só foram notar isso quando foi preciso usar o registro para ele se matricular em uma escola, e, por isso, seu pai também teve que mudar o nome, para adicionar Saramago, pois não permitiam que o menino tivesse tal sobrenome, se seus pais não o tinha. Seu pai, claro, não gostou, e enfatizava e dizia sempre o Souza, quando perguntavam seu nome.
Neste livro ele cita que algumas características que ele pôs em Ensaio Sobre a Cegueira foi devido a suas impressões acerca de um cego que ele conheceu, ou conviveu, quando criança, ele não gostava do cheiro desse senhor.
Uma das partes do livro que eu gostei bastante, foi quando ele falou de seu avô materno:
"(...) E no entanto é um homem sábio, calado, que só abre a boca para dizer o indispensável. Fala tão pouco que todos nos calamos para o ouvir quando no rosto se lhe acende algo como uma luz de aviso. Tem uma maneira estranha de olhar para longe, mesmo que esse longe seja apenas a parede que tem na frente. A sua cara parece ter sido talhada a enxó, fixa mas expressiva, e os olhos, pequenos e agudos, brilham de vez em quando como se alguma coisa em que estivesse a pensar tivesse sido definitivamente compreendida. É um homem como tantos outros na terra, neste mundo, talvez um Einstein esmagado sob uma montanha de impossíveis, um filósofo, um grande escritor analfabeto. Alguma coisa seria que não pôde ser nunca. (...)"
E aqui ele fala de como o avô e a avó maternos cuidavam dos bácoros (porcos pequenos) que nasciam mais fraquinhos, para que não morrecem com o frio da noite:
"(...) Todas as noites, meu avô e minha avó iam buscar às pocilgas os três ou quatro bácoros mais fracos, limpavam-lhes as patas e deitavam-nos na sua própria cama. Aí dormiriam juntos, as mesmas mantas e os mesmos lencóis que cobririam os humanos cobririam também os animais, minha avó num lado da cama, meu avô no outro, e, entre eles, três ou quatro bacorinhos que certamente julgariam estar no reino dos céus..."
Cuidavam tão bem dos animais. ^^
A frase da avó dele que me chamou atenção: "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.". De fato... Bonito demais o mundo! Mesmo, mesmo!
E, por fim, uma frase que achei engraçado que José Saramago falou, quando falava que seus pais faziam um "gato" para não pagarem uma conta muito alta de água: "Imperdoável, dir-se-á, porém já devíamos saber que nem tudo é amável na vida das melhores famílias.".
Aqui vai a recomendação para quem quiser saber um pouquinho mais sobre José Saramago, em especial, sobre sua infância: ler As Pequenas Memórias.
Gostei do livro, não apenas como uma forma de conhecer melhor o autor, mas porque gostei de sua forma de escrever, seus pensamentos e dissertações sobre o mundo que o cerca(va).
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