terça-feira, 16 de outubro de 2007

Afaga? Apedreja...

"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"

(Versos Íntimos - Augusto dos Anjos)


.Ninguém, ninguém, ninguém...

.Lembrei desse poema de Augusto dos Anjos que, no primeiro ano do Ensino Médio, meu professor de Literatura, Damião Augusto, encenou com uma caveira nas mãos...

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