quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Senhor Esperança


No Rio de Janeiro passei pela primeira vez, na quinta-feira eu acho, pela saída da estação de metrô do Uruguaiana e vi um senhor com o braço erguido e uns papéis na mão... Não liguei e passei direto. Depois, pela segunda vez que eu passei (sexta-feira), notei que ninguém pegava seus papéis e ele ficava lá, o tempo todo com o braço estirado... Passei novamente por ele... Mas desta vez eu voltei:
-Oi... Posso pegar um desses?
-Pode! Leve mais pra outras pessoas!
-Não, só um tá bom... Obrigada! =)

Pois é... Eu não sabia o conteúdo daqueles papéis, por isso não aceitei mais. Naquele moinho de papéis que o senhor me entregou falava sobre os problemas que traz o consumo de bebidas alcoolicas e de cigarros, sobre os problemas que uma mente perturbarda pode trazer também ao nosso corpo... Depois que li uma parte, fiquei surpresa e quis voltar lá... Pegar mais alguns papéis pra ajuda-lo na ditribuição e, se possível, abraça-lo... Mas não voltei pelo mesmo lugar. E, no fim da tarde de sábado, vindo da Ilha Fiscal, passei por lá... Mas ele não estava lá.

Poxa!... Achei lindo o jeito dele de tentar salvar o mundo... De alertar as pessoas dos problemas que elas (nós) estão propícias a sofrer... Do jeito de querer o bem das pessoas que por ali passa, das pessoas do mundo, mesmo sem nem saber o nome delas... Querer o bem de todos, não apenas das pessoas próximas a ele. Talvez ele tenha sofrido alguns problemas citado em seus papéis e não queira que outros sofram tanto quanto ele, ou talvez nem tenha passado... Mas sabe no que pode acarretar.

Aí hoje vejo essa frase no nick de uma amiga minha:
"I would love to change the world, but they won't give me the source code".

Precisamos mesmo do código fonte deste mundão para ao menos tentar muda-lo? Talvez nós até já tenhamos um pedaço desse código: começando a mudar nós mesmo, no próprio código, seria um bom começo. E ajudar ao próximo, mesmo sem saber se aquele próximo vai aceitar ser ajudado ou não, já meio caminho andado... Só meio?

O fato é que não esqueço da imagem daquele senhor de idade bem avançada lá, no fim da escada rolante de uma estação de metrô de uma cidade grande, com seu braço erguido segurando alguns papéis em uma mão e mais algumas dezenas daquele mesmo bolinho de papel segurado ao peito com a outra mão.

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